Cassete vs iPod
Devido a andar esta semana com uma viatura desprovida de qualquer leitor de música digital (leia-se CD ou mp3), recorri à minha arrecadação (também chamada de Museu da tecnologia musical das últimas 3 décadas) e gravei uma cassete!!!
Para os mais novos, esta é uma tecnologia do tempo em que não existia mp3 nem CD’s graváveis (sim, houve um tempo assim!), e então tínhamos estas ‘pequenas’ cassetes, que ao longo de umas centenas de metros de fita gravavam até 90 minutos de música (ok, eram 45 de cada lado)!!!
É giro recordar a gravação. Não há cá “drag and drop”, e tudo é feito em tempo real, o que significa que a pessoa “tem” realmente de ouvir a música que está a gravar – um conceito estranho para os dias de hoje.
Primeiro, verificamos se as cabeças de gravação estão limpas.
Depois, convém acertar os volumes de gravação, tendo em linha de conta os picos que a música tem, embora o clipping analógico seja mais suave do que o digital.
Convém seleccionar o tipo de fita utilizado (neste caso, o tipo II, também chamado de crómio).
Ainda temos oportunidade de seleccionar (ou não) o filtro de redução de ruído Dolby (nem vou entrar em detalhes aqui).
Quando finalmente iniciamos a gravação, temos de esperar que passe a zona de “lead in” da fita, caso contrário falta-nos um bocado da música. O mesmo se passa no final, onde acontece sempre uma de duas coisas: ou a música fica cortada (porque a fita acabou), ou sobra fita sem nada gravado para não cortar nenhuma música.
Depois vamos ouvir a gravação num leitor de cassetes (neste caso no carro), e relembramo-nos que as pequenas tolerâncias nas especificações permitiam velocidades ligeiramente diferentes, e neste caso, a música no carro toca ligeiramente mais devagar e com o tom um pouco abaixo.
Mas a emoção não termina aí: - Ainda temos a questão do azimute, e nos leitores com auto-reverse (algo essencial num automóvel), existe quase sempre um lado em que toca melhor do que o outro (com mais agudos), tudo devido à posição relativa da cabeça de leitura face à fita.
Queremos ouvir a música a seguir? Sem problema!
É só carregar numa tecla, esperar que a fita avance “rapidamente” até à próxima faixa, detecte o silêncio, e volte atrás à posição de separação (silêncio) entre faixas.
Se a música estiver perdida algures no meio da cassete, o processo é muito moroso e em termos de distracção, esqueçam lá os telemóveis. Isto é que é perigoso, ao carregar em teclas e tentar perceber o que o rádio está a fazer à cassete.
Na foto, é curioso ver a comparação de tamanho entre a cassete e um iPod ultrapassado (até em dimensões), e também o custo unitário de armazenamento da música. A somar ao preço do gravador de cassetes (mais o leitor de cd ou gira-discos) e do leitor, temos o preço da cassete, que no caso em questão (TDK SA-X) seriam uns 600 escudos, ou seja, 3 euros para gravar 60 minutos de música!
Facilmente se faz a conta e se percebe que um iPod Nano de 8 gigas fica muito mais barato por minuto (já com o aparelho em si), e ainda tem fotos das capas, para além de uma câmara de vídeo!!!
Não estou convicto de que o mp3 tenha sido uma coisa boa para a música, e até suspeito do contrário, pois a música que se vende e ouve na rádio é cada vez mais um produto para se vender, e menos uma forma de expressão artística e de comunicação. Os tops de vendas a nível mundial dizem tudo.
Mas a evolução da tecnologia em si é (como sempre) espantosa quando avaliada com alguma distância.